SIMPLES NACIONAL PODE PERDER COMPETITIVIDADE COM A REFORMA TRIBUTÁRIA

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A reforma tributária do consumo trouxe mudanças estruturais que podem alterar significativamente o papel do Simples Nacional no sistema tributário brasileiro. Criado para simplificar a tributação e incentivar o crescimento de micro e pequenas empresas, o regime passa a enfrentar novos desafios com a implementação do modelo de IVA dual, composto pela CBS e pelo IBS.

Especialistas apontam que, apesar de o Simples continuar existindo, sua vantagem competitiva pode diminuir, principalmente para empresas que atuam no meio da cadeia produtiva (operações B2B).

O que muda com a chegada do IVA dual

Com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por IBS e CBS, parte relevante da tributação sobre consumo deixa de estar concentrada no Simples.

Na prática:
• O regime passa a ter estrutura híbrida
• Tributos sobre consumo migram para o novo sistema geral
• Permanecem principalmente tributos sobre renda e folha

Isso reduz uma das principais vantagens históricas do Simples: a unificação ampla da carga tributária.

Créditos tributários passam a influenciar a competitividade

Um dos impactos mais relevantes está na lógica da não cumulatividade.

No novo modelo:
• Empresas só poderão aproveitar créditos proporcionais ao imposto efetivamente pago pelo fornecedor
• Como empresas do Simples possuem carga reduzida, o crédito gerado também será menor
• Grandes empresas podem priorizar fornecedores fora do Simples para ampliar créditos

Esse efeito pode reduzir a competitividade de pequenas empresas em operações entre empresas.

O tema envolve inclusive debates constitucionais relacionados à livre concorrência, já analisados pelo Supremo Tribunal Federal em diferentes precedentes.

Simples deixa de ser escolha automática

A reforma não extingue o Simples Nacional, mas muda sua lógica estratégica.

Agora, a escolha depende de fatores como:
• Perfil de clientes (B2B ou B2C)
• Estrutura de custos e créditos tributários
• Volume de distribuição de lucros
• Posicionamento na cadeia econômica

Além disso, a própria reforma permite a chamada “saída parcial”, em que empresas permanecem no Simples para tributos diretos e recolhem IBS e CBS pelo regime geral, o que aumenta a complexidade operacional.

O papel do planejamento tributário ganha ainda mais importância

Com o novo cenário, micro e pequenas empresas precisarão avaliar com mais cuidado qual regime realmente gera vantagem financeira.

Entre os pontos estratégicos:
• Simulações entre Simples, lucro presumido e lucro real
• Revisão de preços considerando geração de créditos
• Reestruturação societária
• Avaliação da cadeia de fornecedores

Na prática, o Simples deixa de ser um regime padrão e passa a exigir análise caso a caso.

Ferramentas e sistemas que ajudam na reforma tributária

Nos últimos meses, a Reforma Tributária tem dominado as discussões no meio empresarial, mas muitas empresas ainda não avançaram para entender o impacto real sobre seus números.

A Reforma Tributária é muito falada, mas quase não se mostra como os cálculos funcionam na prática. Por isso, muitos ainda não iniciaram projetos de análise de impactos.

Exatamente por isso, algumas empresas já começaram a usar o Simulador da Reforma Tributária, uma ferramenta que projeta (com base em relatórios excel, xmls e speds) cenários com base nas novas regras e estima efeitos sobre margens, preços e carga tributária.